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Um pouco de história.
 
Em 1808, com a transferência da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro, foram criados os primeiros cursos médicos no país, na Bahia e no Rio de Janeiro. A Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica do Rio de Janeiro funcionou nas dependências do Real Hospital Militar no Morro do Castelo até 1813, empenhando-se na formação de cirurgiões civis e militares. Em 1° de abril de 1813, novo decreto reorganiza o ensino médico e a Escola passa a denominar-se Academia Médico Cirúrgica do Rio de Janeiro.

 

Em 1832, profunda reforma marca a fundação das Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e da Bahia, e a do Rio de Janeiro passa a ministrar, além do curso médico, os cursos de Farmácia e de Obstetrícia. No bojo desta reforma, é organizada a Biblioteca da Faculdade de Medicina. Aos poucos, ampliando suas atividades, passa a Faculdade a ocupar com seus cursos diversos prédios da cidade, com destaque para a Santa Casa de Misericórdia, onde, num anexo, tem sua sede até que, em 1918 é inaugurado o edifício – sede da Praia Vermelha.

 

Para esta sede, após a reforma que acrescenta dois andares ao prédio, no quarto andar, localizou-se a Biblioteca de Obras Raras, e no primeiro andar, junto à Secretaria, o arquivo de documentos administrativos com os mais diversos registros de atos acadêmicos. Para o novo edifício foram transferidos equipamentos e algum mobiliário, mas a maior parte foi especialmente construída para a nova sede. Nos seus longos corredores foram expostos os retratos dos antigos diretores e catedráticos, aos quais se foram somando os mais recentes, formando magnífica pinacoteca.

 

Para o edifício da Praia Vermelha foram transferidas além do gabinete do Diretor, da sala da Congregação, e das atividades administrativas, as Cadeiras que hoje compõem o chamado Ciclo Básico. No velho edifício também tinha sua sede o Centro Acadêmico Carlos Chagas, órgão de representação dos estudantes da Faculdade de Medicina.

 

Por sessenta anos, o sonho do Hospital de Clínicas ficou registrado no terreno ao lado, primeiro local para sua construção, e depois no “esqueleto” do Hospital Universitário na ilha do Fundão, finalmente inaugurado em 1978. Nesses anos, as atividades do chamado Ciclo Profissional, se desenvolveram em inúmeros serviços clínicos e cirúrgicos na cidade do Rio de Janeiro, em prédios próprios ou não.

 

Em todos esses lugares foram ficando fragmentos da memória da antiga Faculdade de Medicina. Esta história, quase bicentenária, também foi sendo guardada nos registros fotográficos, nos escritos, nos objetos conservados por seus ex-alunos.

 

A última grande reforma, no final dos anos 1960, retira da Faculdade de Medicina o chamado Ciclo Básico que passa a ser ministrado pelo recém criado Instituto de Ciências Biomédicas e pelos Institutos de Biofísica e Microbiologia. No início da década de 1970, os Institutos básicos são transferidos para a Cidade Universitária no campus do Fundão e o edifício da Praia Vermelha é derrubado.

 

A Biblioteca da Faculdade de Medicina é incorporada à Biblioteca Central do Centro de Ciências da Saúde que, apesar de suas amplas instalações, é insuficiente para abrigar todas as obras - livros, periódicos e teses – e muitos periódicos anteriores à década de 1950, incluindo toda a coleção do século XIX, bem como livros, editados do século XVI ao início do século XX, constituindo as chamadas “obras raras”, são precariamente acomodados no porão, sofrendo danos, em alguns casos, irreparáveis.
A partir de 2001, por iniciativa da Direção da Biblioteca Central e com apoio da FAPERJ, ganham as obras raras um espaço próprio e é iniciado o processo de recuperação.

 

A transferência para o Fundão, reduziu também de modo drástico, a área destinada à guarda do acervo documental da Faculdade de Medicina. Nos seus quase duzentos anos, a Faculdade se tornou depositária de um acervo histórico de relevância impar para o entendimento do ensino e da prática das ciências da saúde no Brasil. Grande parte deste acervo encontrava-se depositado em área do sub-solo do edifício sede do Centro de Ciências da Saúde, em condições inadequadas para sua conservação e praticamente inacessível aos pesquisadores.

 

Constitui-se de documentos e Livros de Registros que abarcam o período de 1815 a 1994. A documentação do século XIX, ainda não completamente identificada, possivelmente cubra período anterior a 1815.

 

O mais antigo livro de registro de alunos foi identificado pela equipe da Biblioteca Central, e é um dos primeiros documentos cuja transcrição (para o ano de 1815) já está disponível em nossa página. (vide Documentos)

 

Desde o segundo semestre de 2002, com apoio da Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB), está em desenvolvimento o projeto do Centro de Documentação, desenvolvido pelo Laboratório de História, Saúde e Sociedade da Faculdade de Medicina, e que tem por objetivo o tratamento e organização do acervo documental possibilitando assim o acesso à pesquisa. Com a constituição do Centro de Documentação estão também sendo incorporados acervos particulares, principalmente de professores, inclusive parte da documentação do Centro Acadêmico Carlos Chagas no período de 1965 a 1969.

 

A pinacoteca, exceto alguns quadros localizados no gabinete do Diretor e da Chefia de Departamentos da Faculdade de Medicina, e em outras Unidades do Centro de Ciências da Saúde, foi encaixotada e assim permaneceu por mais de vinte anos. Há três anos, por iniciativa conjunta da Faculdade de Medicina e do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, foi iniciada a organização e restauração deste acervo.

 

Os esforços de recuperação de livros, documentos e quadros, reacalentaram o antigo sonho de organização do Museu da Medicina. No entanto, estes esforços também indicaram novos caminhos. O Museu Virtual, sem prejuízo de áreas físicas de exposição e guarda dos diversos acervos, pretende ampliar o acesso a todo este rico conjunto documental e se constituir num espaço de construção da história da nossa Faculdade, em interação com todos aqueles que, das mais diversas formas, dela fazem parte.



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